Matemática uma linguagem. Parte II

26/08/2010

Como professor de Matemática, sempre quiz fazer dela uma disciplina que os alunos gostassem, que se sentissem tranquilos, que não tivessem medo, mas sempre tinha de superar aquele trauma da maioria, que em anos anteriores tiveram aversão a esta chamada “ciência exata”, fria e difícil.

Apresento aqui o pensamento de Malba Tahan (Prof. Júlio César de Mello e Souza), em sua obra: Matemática Divertida e Curiosa, da Editora Record.

“Os professores de Matemática – salvo raras excessões – têm, em geral, acentuada tendência para o algebrismo árido e enfadonho. Em vez de problemas práticos, interessantes e simples, exigem sistematicamente de seus alunos verdadeiras charadas, cujo sentido o estudante não chega a penetrar. É bastante conhecida a frase do geômetra famoso que, depois de uma aula na Escola Politécnica, exclamou radiante: “Hoje, sim, estou satisfeito! Dei uma aula e ninguém entendeu!”

O maior inimigo da Matemática é, sem dúvida, o algebrista – que outra coisa não faz senão semear no espírito dos jovens essa injustificada aversão ao estudo da ciência mais simples, mais bela e mais útil. Lucraria a cultura geral do povo se os estudantes, plagiando a célebre exigência de Platão, escrevessem nas portas de suas escolas: “Não nos venha lecionar quem for algebrista.”

Essa exigência, porém, não devia ser … platônica!.

Matemática uma linguagem. Parte I

26/08/2010

Em qualquer lugar que se fale de Matemática, esta maravilhosa disciplina é apresentada como sendo uma ciência exata.
Eu prefiro trabalhar a Matemática mais como uma linguagem, que usa de símbolos e sinais para ser construída. Ela tem como objetivo chegar a exatidão.
A maioria dos alunos não gosta de Matemática, não por ela ser uma disciplina difícil, mas sim, porque a maioria dos professores a torna assim.
Querem os professores partir de fórmulas para o ensino da Matemática, quando na verdade a fórmula é o resultado do conhecimento do que estamos ensinando. O mesmo ocorre no ensino da Física.
Um exemplo, quando os professores falam do teorema de Pitágoras, todos os alunos já fazem cara feia, pois lá vem aquela decocreba: a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Mas o que é isto?
Construa o triângulo, demonstre o teorema, pois a visualização fará com que os alunos apreendam o conteúdo e tenham a noção do que esta “coisa” de teorema representa.
Outra questão voltada à Pitágoras é que todos os professores deveriam apresentar este personagem aos alunos, falar sobre as suas experiências com som e com isto a sua intuição que levou ao conhecimento da pauta musical, com suas 7 notas musicais. Os seus estudos sobre a metempsicose, que levariam mais tarde à confusão que se tem hoje sobre a questão da transmigração da alma.
Se trabalharmos a Matemática mais romanticamente, com certeza a maioria dos alunos terão novo olhar sobre a mesma.

Conversando com o Profeta. – Continuação I

25/08/2010

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   Estávamos, um amigo e eu, sentados a uma das mesas de um restaurante ao ar livre, quando de repente surgiu à nossa frente uma figura estranha, que se achegou a nós e, cordialmente, ofereceu-nos alguns chaveiros, apresentando um documento de uma entidade filantrópica, a qual revertiam os valores das vendas.

   Nem bem o estranho se aproximou, um dos garçons chegou e, bruscamente, interpelou o vendedor e, em tom ríspido foi dizendo.

   – Não incomode os nossos fregueses.

   Argumentei automaticamente que aquilo não era incômodo …

   A voz ríspida, voltando-se para mim continuou.

   – O senhor não imagina, este cara está todo dia aqui é sempre a mesma coisa. O chefe já deu ordens de mandá-lo embora sempre que aqui aparecer e, se necessário, chamar a polícia.

   – Desculpe a chateação, obrigado pela atenção, até outro dia e que Deus os abençoe, – saindo devagar, assim se despediu o estranho.

   -Algo mais para vocês? – Perguntou o garçom com a maior naturalidade, como se nada tivesse ocorrido.

   – Obrigado, estamos de saída, – respondi.

   Levantando-nos, pagamos a conta e saímos.

   No caminho de casa, não saía de meu pensamento a figura do estranho; algo nele me cativara, várias questões ficaram no ar.

   Que entidade era aquela?

   Qual seu objetivo?

   Como e por que aquele homem trabalhava na mesma?

   Continuei meu caminho e, no meio da multidão que se acotovelava nas calçadas e, nas aventuras das travessias das tuas, segui solitário meu caminho de casa.

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   A manhã está preguiçosa, algumas nuvens salpicam de branco o azul celeste. O sol se esgueira entre as árvores, levantando-se mansamente por detrás do morro em frente de casa, como a querer fazer com que este sábado seja mais longo, colorindo vagarosamente a natureza desta primavera.

   Sinto um agradável cheiro de café e ouço feliz o riso “vida” de meus filhos em suas alegres brincadeiras, correndo pela casa toda, dando a impressão de serem muito mais que aquelas três maravilhosas crianças.

   – Acorde, pai – num grito só, os três põem suas carinhas na porta.

   – Ah! Hoje é sábado, deixa eu fazer uma preguiça, – murmuro por entre as cobertas.

   – O café está na mesa, a mãe está chamando, – insistem eles.

   – Já vou, respondo dando um pulo da cama, como que a querer agarrá-los e, lá se vão em desabalada correria e grito os três. Sentado na cama, sinto-me verdadeiramente feliz.

   Levanto os olhos, faço o sinal da cruz e, na minha prece da manhã, agradeço ao Deus Pai, pela minha família, por este dia e, vem-me ao pensamento aquele senhor de ontem no restaurante. E, se ele estava angariando fundos para alguma entidade que cuida de crianças abandonadas? De idosos? Como será que estão agora? Na minha prece, incluo aquele vendedor e, todos os que, por motivos os mais diversos, não podem comemorar e ou agradecer como eu, nesta manhã.

                                                        ***************************

   São três horas da tarde, vou para o trabalho que faço todos os sábados na igreja da minha comunidade e, a imagem daquele vendedor não me sai da cabeço. Após os trabalhos da tarde, onde conversei com alguns casais e com um grupo de amigos, desenvolvemos nosso aprofundamento bíblico, assumi minha função de Ministro da Eucaristia durante a missa.

   Durante a distribuição da comunhão eis que, na minha frente, vejo pó estranho vendedor que, após apresentar-lhe a hóstia consagrada e dizer “O Corpo do Senhor” – respondeu – “Amém”. Tomou-a, olhou-me firmemente e voltou ao banco.

   No final da missa, no abraço da paz, procurei-o e, não mais o encontrei.

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Palestra aos pais. – Resumo II

23/08/2010

Estes os assuntos desenvolvidos pela Melissa Zeni Stuepp, na primeira parte da palestra aos pais, proferida no dia 18/08 na Paróquia Cristo Rei.

PAIS E FILHOS X VOCAÇÃO

 Este momento de escolha é uma tarefa difícil para pais e filhos;

Para o adolescente por surgirem várias questões sobre seu futuro;

 Para os pais por influenciar no futuro dos seus filhos.

Nesta fase cada adolescente apresenta formas diferentes de agir perante a decisão sobre o futuro e a responsabilidade que até então era subjetiva:

 Alguns se concentram nos livros, pesquisam os cursos, ficam envolvidos com este momento de transição e gostam desta fase;

 Outros ao contrário, não querem tomar esta decisão ou não se sentem preparados então apresentam reações de rebeldia, revolta ou rivalidade. Nesse último caso, o jovem ocupa-se em contrapor as influências do meio e afasta-se da busca pela própria realização.

O risco do jovem ser direcionado é decidir a partir de expectativas de outras pessoas e não de seus próprios anseios. Por conseqüência, abre-se espaço à frustração, uma vez que as necessidades pessoais não foram consideradas.

Para os pais, o alerta deve ser claro no sentido de estar atento às próprias intenções. Para isso, devem se perguntar , honestamente:

 Por que desejo sugerir esse caminho?

 Estou agindo de forma correta com meu filho?

 Estou respeitando sua opinião e fortalecendo seu crescimento pessoal?

Para auxiliar o jovem nesta difícil tarefa o melhor que os pais tem a fazer é ensiná-lo a procurar alternativas próprias, fortalecê-lo e, principalmente, orientá-lo a tolerar o vazio e a insegurança que o medo perante o futuro suscita.

Afinal, não existem decisões certas ou erradas, mas caminhos que vão sendo construídos ao longo da trajetória.

Palestra aos pais – resumo 1

22/08/2010

Este é um resumo, com os tópicos abordados na primeira parte da palestra aos pais, apresentada dia 18/08 na Paróquia Cristo Rei, que é parte do ciclo de palestras sobre as profissões de e do futuro, cursos superiores mais procurados e mercado de trabalho, que se complementa com as duas palestras aos jovens do ensino médio. Estes tópicos foram abordados por mim.

Todos nós pais temos uma grande preocupação com o futuro de nossos filhos. Esta preocupação já é latente na própria gestação.

Será o meu filho saudável? Nascerá forte?

Provavelmente tão logo nasça, além do registro de nascimento dele, logo será feito seu CPF e com certeza lhe abrirão uma previdência privada, já pensando no seu curso superior.

Com a convivência, vem outras preocupações …. com quem ficar enquanto os pais trabalham e o tempo vai passando e as preocupações continuam e sempre aumentando.

Gostaria de aqui tratar destas questões de relacionamento, que são as que desenvolverão um companheirismo ou não entre pais e filhos.

Quero trabalhar também a questão do exemplo. Os filhos percebem as nossas atitudes e vão nos imitando.

Como encaramos o futuro de nossos filhos? Queremos que eles se deem bem, ganhando muito dinheiro, independentemente se gostam ou não do seu trabalho? Ou queremos que eles se realizem em seu todo, sabendo que o dinheiro será o resultado de um trabalho bem feito?

Em casa proibimos pura e simplesmente o assistir televisão, porque achamos que ela prejudica o filho e assim abrimos campo para ele ir assistir em outro local, ou conversamos e determinamos os horários e que programas podem ser assistidos respeitando sua idade?

E quanto ao uso da internet? Igual à televisão?

Os pais procuram a escola somente quando o filho tem algum problema? Ou estão em constante contato, acompanhando o desenvolvimento deles em todos os sentidos?

Os pais deixam a educação de seus filhos a cargo da escola, ou se preocupam com a mesma na sua totalidade?

Os pais estão sintonizados com a escola no seu desenvolvimento escolar e psicológico?

Os pais conversam com os filhos sobre o mercado de trabalho? Se interessam pelas escolhas dos filhos? Incentivam eles à busca de informações de profissões, da formação acadêmica?

Qual a importância do dinheiro para a família? Ele é tudo? É a segurança? Ou é algo necessário, mas visto como meio e não fim? Algo que é o resultado do trabalho?

Qual a noção de sucesso? Ter uma bela conta bancária, muitas aplicações, vários imóveis, sempre o carro do ano e das marcas mais chamativas? Ou o sucesso pode conter isto, não como o principal, sendo que o principal será ter o tempo para a família, o controle de sua vida, o ser mais do que o ter?

Conversando com o Profeta

22/08/2010

Começo a postagem do meu livro Conversando com o Profeta.

O livro foi editado pela Editora Letra Viva, com tiragem de 300 exemplares, no outono de 1996, sob o ISBN 85-85885-16-5.

Conversando com o Profeta

Dedicatória

   Aos meus avós, Paulina, enérgica, porém carinhosa, que em sua simplicidade dizia-me com sabedoria “o que é do homem o bicho não come” e Henrique, alma nobre de artista, que com seu jeito sereno mostrou-me o belo da vida, dedico esta minha obra e, que lá na eternidade onde está vô Henrique, haja uma varanda e uma cadeira de balanço e, que possa eu orgulhosamente saber, que dentre tantos livros que leste e estejas a ler, tenhas em mãos, este simples trabalho de teu neto.

Prefácio

   Sabemos que tudo é Dom de Deus, mesmo as coisas pequeninas. E nossos dias são ricos dos presentes que o Senhor nos oferece.

   As palavras deste livro fazem comunicar-se a alma do autor à do leitor, pois o conteúdo, a mensagem do mesmo foi vivida antes de ser escrita. Somos gratos por termos em nosso meio pessoas de alma tão generosa, que com sua dedicação, nos transmitem aquilo que nosso espírito precisa para entrar em comunhão com aqueles que fazem parte do nosso convívio.

   Podemos sintonizar-nos com Deus, através de todos os acontecimentos, até dos menos significativos, é necessário tão semente saber ouvi-lo em nosso caminhar.

   Eis aqui, uma proposta que nos projeta a uma iluminação de fé, num apelo constante ao dom do homem pelo homem …

Belmiro Valério Avancini

Introdução

   Em algum determinado momento de nossas vidas, pensamos que somos os donos da verdade e, a partir de nossas idéias o mundo será totalmente mudado, parece que nada está no seu devido lugar, somos capazes de discordar e tudo que nos apresentam e, principalmente a opinião das pessoas mais velhas é totalmente sem sentido.

   Vamos amadurecendo e, aos poucos a nós apresenta-se aquele questionamento com que se depararam todos os seres humanos durante esta sua curta mas turbulenta passagem por este planeta Terra.

   – Quem somos?

   – De onde viemos?

   – Para onde vamos?

   – Porque somos?

   Aqui estou eu, nesta fase cruel da vida a perguntar-me tudo isto e, como Pascal (Blaise Pascal – 1623-1662  – filósofo e matemático francês), estou com uma “única certeza, a de que a única verdadeira grandeza do homem reside na consciência de seus limites e de suas fraquezas, a incerteza radical e certa, o paradoxo, a recusa intramundana do mundo e o apelo a Deus”, sentindo-me também “apavorado perante o silêncio glacial dos espaços infinitos em grandeza e pequenez” (B.Pascal, Pensamentos. São Paulo: Nova Cultural, l988, XII), porém posso concluir com o mesmo Pascal, que “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (B.Pascal, Pensamentos, São Paulo: Nova Cultural, l988, XIX).

   E, na busca das respostas a tantas questões, pus-me a estudar e vasculhar pelos labirintos dos conhecimentos que a humanidade legou-nos, tanto através de mestres que a vida premiou a mim na “sorte” de poder ouvi-los, como a livros que de maneiras às vezes estranhas, chegaram a minhas mãos.

   É pois, este trabalho, o balbucio de um ser humano, (mais uma vez buscando em Pascal uma luz) na verdade “um caniço, um caniço açoitado pelos ventos, porém, um caniço pensante” (B.Pascal, Pensamentos. São Paulo: Nova Cultural, l988, pg. 123.

   Que possa este rascunhar de pensamentos e idéias, servir de algum modo a quem se detiver e na paciência de um ser de bondade, verificar que, mesmo vivendo no limiar do século XXI, ainda assim, alguns de nós (ou será que todos), estamos à procura.

ESTAR PROFESSOR.

18/08/2010

No texto anterior trabalhei o Ser Professor, agora quero trabalhar o Estar Professor.

Qual a diferença?

Ela é sutil, mas determina uma enorme distância entre os dois estados em que alguém se posiciona na profissão professor.

Ser professor é gostar do seu trabalho, é se preocupar em buscar mais conhecimentos, em preparar uma boa aula, já estar professor é o estado de alguém, que por não encontrar outra alternativa de trabalho, acaba exercendo o cargo como bico, não se prepara, não se preocupa em buscar novos conhecimentos.

Quem é professor por vocação, não fica só se preocupando com o seu salário, pois sabe que o mesmo será o resultado de um bom trabalho e saberá buscar a valorização do mesmo, tem a consciência de que exercendo a profissão com dedicação e carinho, será reconhecido e novas oportunidades surgirão para ele no mercado. O bom profissional é disputado no mercado, seja lá em que segmento for. Ele não fica defendendo a isonomia, entende e valoriza a meritocracia.

Quem está professor, vive nos cantos reclamando de seu salário, tudo está errado onde trabalha, mas, não tem sugestão alguma para melhorar, vive a dizer que não lhe dão oportunidades e quando vê um colega galgar postos ou receber uma oferta melhor de salário, fala aos quatro ventos que é um sortudo, que é um puxa-saco, ou coisas que são impublicáveis neste espaço. Para ele o mercado sem dúvidas fecha a porta, pois ele luta pela isonomia e detesta a meritocracia.

Você que exerce esta nobre profissão de professor, se coloca no: Ser Professor, ou fazendo uma análise sincera de sua atuação, se vê um: Estar Professor?

A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade. (Parte II)

09/08/2010

E então, na manhã de um belo dia de inverno muito ensolarado, com temperatura agradável, pergunto para a Thaís.

   – Paixão do Vovopi, vamos passear pela Rua Florianópolis? (rua em que moramos).

   – Vamos Vovopi, responde ela alegremente.

   Descemos as escadas que nos levam até a rua, atravessamos a mesma e vamos ver se a Debi, a cachorra da casa do Joãozinho está lá no portão. Ela não está e a Thaís fica chamando Debi, Debi, mas não adianta ela não aparece.

   – Ela deve tá dormindo né Vovopi, diz desapontada.

   – É, quem sabe quando voltarmos ela já tenha acordado. Respondo tentando animá-la.

   Passamos pela frente da casa de D.Rita, uma vizinha, ela tem dois cachorrinhos que às vezes ficam lá no portão a latir, mas hoje também não aparecem.

   Atravessamos novamente a rua e vamos até a nossa gruta (a garagem da casa da D.Neli, onde fica o carro do tio Gordo (o Thiago nosso filho mais novo). Chegamos à garagem, entramos e lá no meio eu dou um grito Oh! Este grito ressoa na garagem, e ela também dá o seu grito e ri alegremente, ficamos ali a imaginar que bichos possam ter nesta nossa gruta, ela diz  jacaié, hipopótamo, lião. Damos gostosas gargalhadas e saímos de nossa maravilhosa gruta.

  No caminho da descida da Florianópolis até a Rua João Pessoa, em cada casa há algo que a Thaís conhece e quer rever. Na casa do Mauro e da Olívia tem o batata, o cãozinho deles, no jardim uma estátua de mulher que a Thaís teima em dizer que é a mamina (a mãe dela) e assim vamos de casa em casa; na casa do S. Grahl (já falecido), há uma estátua de uma grande ave de bico alaranjado, que ela diz que é um pato, no muro da casa do S. Koerich temos de parar, pois por lá passeiam formigas, algumas bem pequenas e outras maiores; para ela é um divertimento ver o caminho que percorrem. Na casa do S. Pedro e D. Norma, tenho de parar para que ela veja os cachorrinhos e os pássaros que ficam ali pelas árvores. Passamos pelo prédio, onde há uma larga calçada, ali ela quer descer do colo e brincar um pouco. Nos postes, paramos e ela olha para cima e diz: – Que alto Vovopi …..

   E assim, chegamos à Rua João Pessoa, vamos à esquerda e depois de alguns metros, eis que na esquina da Rua da Companhia e a João Pessoa, bem à nossa frente, lá, bem no alto daquela escadaria de pedras, está a Alemanha, a Alemanha da Thaís.

   – Vamos até a Alemanha? Pergunto.

   – Vamos sim, responde ela toda feliz.

   Atravessamos pelas faixas de pedestre e iniciamos lentamente a subida daqueles inúmeros degraus, agora com ela ao colo. Toda a escadaria é ladeada por canteiros de flores, que estão todos floridos. Algumas borboletas bailam por entre as flores. Seguimos nossa viagem, com a Thaís pedindo para parar e olhar mais atentamente uma ou outra flor, se divertindo vendo as “boboetas”.

   E assim, depois de uns bons minutos e muito cansaço, eis que chegamos à Alemanha, ela diz: – Vovopi, não vamos entrar na Alemanha né?

   Ela queria ir até lá em cima, mas não entrar na igreja.

   Paramos por ali, ela olhou tudo, demos uma volta ao redor da mesma e retornamos para a escadaria, para o nosso retorno da Alemanha, mas olhando lá de cima, ela diz:    – Vovopi, como estou grande (quando ela sobe, em vez de dizer, que alto estamos, ela fala assim, que grande estou e quando descemos, que pequena …).

   Descendo alguns degraus, ela olha ao redor, e pela altura que estamos, podemos ver outras partes do nosso bairro (da Velha), veem-se algumas ruas que estão em outros morros e uma parte da Vila Germânica, então ela me diz: – Vovopi, olha quantos países.

   – É paixão, quantos países. Nós vamos conhecer todos.

   Continuamos nossa descida e numa das paradas para vermos alguma flor, encontramos uma borboleta pousada na mesma. Bem calmamente consigo pegar uma e coloco na mão da Thaís, ela sorri e fica encantada com aquela borboleta amarela em suas mãos. Depois a soltamos e ela parte em seu bailado. Outras em seus vôos acabam chegando bem perto de nós e a Thaís dá gostosas gargalhadas.

   Depois de um bom tempo, chegamos lá embaixo na Rua João Pessoa e eu fico olhando o trânsito para podermos atravessar com segurança e eis que ela num ímpeto, com suas mãozinhas em minhas faces, vira minha cabeça e dá um gostoso beijo numa delas e um forte abraço …… ah!, Que prêmio para o vô. O que poderia eu querer mais? Abraço ela fortemente, dou vários beijos e de meus olhos caem algumas lágrimas, não de tristeza, mas lágrimas de alegria, de realização, de agradecimento, e então olho para o céu e faço uma prece silenciosa, agradecendo à Deus pela bênção que nos deu. Obrigado Senhor.

   Retornamos à Rua Florianópolis e, agora novamente de casa em casa vamos olhando tudo novamente, com calma, curtindo cada momento, e  para a alegria da Thaís, quando chegamos na casa do Joãozinho, lá está a Debi.

   Quando chegamos em nossa casa, na calçada da frente está a Bisa Anna (a mãe da Rita) e ela vai levar a Thaís para ver os seus amiguinhos, alguns caracóis que estão na parede da casa. A Thaís brinca com eles e vamos para a parte superior (Onde moramos), pela escada lateral e lá em cima está a Liza, a nossa Boxer/Rottweiler, vamos até ao terraço onde está a Meg a nossa Dálmata e a Thaís falando pelos cotovelos, conta para a Ominha e a Bisa Anna a nossa grande viagem até a Alemanha.

A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade.

06/08/2010

“Neste mundo da literatura em que navegamos, encontramos autores que constroem estruturas que ligam vazios. Tentam colocar coberturas em espaços sem estrutura, estes autores são importantes, pois estão à busca, e como que as apalpadelas conseguirão fazer de suas estruturas algo de valor. Encontramos também autores  com conhecimentos básicos, outros com conhecimentos médios e  poucos com conhecimentos sólidos, que buscam criar estruturas para ligá-los, estes são imprescindíveis, pois mesmo que suas estruturas ainda sejam frágeis,  promovem mudanças, algumas simples, outras radicais, levando-nos a viagens pelo inimaginável”.

Leonardo Stuepp

Começo agora as minhas postagens em meu blog como escritor.

Fiquei a pensar, o que postaria aqui? Então me veio a idéia de postar semanalmente partes dos livros que já publiquei, assim, os interessados poderão conhecê-los em doses homeopáticas.

Mas, para iniciar, tenho algo inédito a apresentar ……

   Era um dos dias em que,com muita alegria fui buscar minha netinha Thaís na escolinha na hora do almoço. Faço isso normalmente duas vezes por semana.

   Como de costume, um pouco antes do meio dia, após o almoço, lá vem a minha paixão, sorrindo com sua bela muchi (a mochila com o material e roupas).

   Acomodo ela na sua cadeirinha e tomamos a direção de nossa casa. Durante o percurso, ela comenta sobre o que comeu, o que brincou, com quem brincou, fala pelos cotovelos e fica pedindo para que eu olhe para ela.

   Assim vamos, ela falando eu escutando e prestando atenção ao trânsito, em algumas oportunidades ela quer cantar, então temos de cantar bem alto: Papai Noel deixou, meu presente de Natal, mas como é que Papai Noel, não se esquece de ninguém ……, passando logo em seguida para: Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim, um ovo, dois ovos …., sem se importar com  qual época do ano estamos, pois para ela sempre é Natal ou Páscoa……como é gostosa esta viagem, que sensações, que emoções.

   Quando estamos descendo o morro da Companhia (a rua que liga o Bairro do Bom Retiro com o Bairro da Velha), esquina com a Rua João Pessoa, ela me chama.

   – Vovopi (querem algo mais carinhoso?), a Alemanha é aí né?

   Fico sem entender, olho para trás e pergunto.

   – O que?

   – A Alemanha é aí né?, diz agora mais séria.

   Olho para onde aponta e vejo que é a Igreja Evangélica Luterana, que fica ali naquele morro.

   – É paixão, ali é a Alemanha. Digo ainda confuso.

   Chegando em casa comento com a Rita, minha esposa e após algumas reflexões compreendemos que ela associou as conversas  sobre viagens à Alemanha, e as fotos que viu, com aquela igreja em estilo bem europeu mesmo.

   E, assim, sempre que passeio com a Thaís pela nossa rua, que fica próximo à igreja e ela a vê, ela diz, olha Vovopi, a Alemanha.

   Até que em um dia de inverno, bem ensolarado, com temperatura muito agradável, resolvo levá-la até a sua Alemanha ……

Mas isto fica para a outra postagem.

Ser Professor.

05/08/2010

Lembro vagamente e tento entender, como, em uma pequena sala, encostados com suas pequenas carteiras à parede, quatro turmas, o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto ano do hoje ensino fundamental, tinham aulas ao mesmo tempo com o mesmo professor.

Lá ficávamos recebendo as informações; lá éramos cobrados por um professor enérgico, que não titubeava em dar suas palmadas (e nenhum pai tirava satisfações com ele); lá aprendemos a conhecer as letras, a transformar um conjunto destas letras em palavras e um conjunto de palavras em pensamentos e um conjunto de pensamentos nos levava a ler livros; lá aprendemos a geografia de nosso país e do mundo; lá aprendemos a história de nossa pátria e a história geral; lá aprendemos os algarismos e com eles a noção de número usando os próprios algarismos ou juntando os mesmos, com isto podíamos determinar quantidades, aprendemos a usar sinais e estes sinais nos levavam a entender o que era somar, diminuir, multiplicar e dividir, não como uma operação matemática mecânica, mas como um resultado de algo que podíamos ver, algo que surgia naturalmente, intuído, explicado e entendido.

Ah! Hoje que saudade deste tempo que ainda tento entender. Hoje, com tantas teorias que estão levando a cada dia o ato de ensinar a ser meramente um cumprimento de horários, onde dificilmente se consegue chegar ao verdadeiro sentido do ensinar e muito menos do aprender.

Hoje, o professor é refém de calendários, de um material didático nem sempre condizente com as reais necessidades do aprendizado, muitas vezes com teor ideológico, quando não com erros dos mais banais aos mais crassos, de uma carga horária desproporcional à sua possibilidade de preparação e análise dos conteúdos repassados, pois para atender às suas necessidades pessoais e familiares de sustento, lazer e sociais, tem de ter uma enorme carga horária, com muitas aulas para que seu salário possa dar conta destas necessidades básicas  e, ainda de um grupo de alunos que entendem que tem muitos direitos e sabem cobrar os mesmos, mas esquecem de que também tem deveres, mas isto pouco importa, pois ele, o professor é pago para ensinar, mas por gentileza, não cobrar.

Sim, ser professor, o que significa isto hoje? Para mim é um verdadeiro apostolado, requer fibra, boa vontade e muita perseverança. É sem dúvida uma nobre profissão, que ao final de tudo traz alegrias, pois até estes alunos que em muitas oportunidades só sabiam de seus direitos, com o tempo, o passar dos anos e o surgimento de suas necessidades, de suas responsabilidades, acabam reconhecendo o valor daqueles, que em muitas oportunidades não respeitaram ou não deram o devido valor.

Ser professor é ser altruísta, é acreditar que em sua atividade está a semente da transformação.