A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade. (Parte II)

E então, na manhã de um belo dia de inverno muito ensolarado, com temperatura agradável, pergunto para a Thaís.

   – Paixão do Vovopi, vamos passear pela Rua Florianópolis? (rua em que moramos).

   – Vamos Vovopi, responde ela alegremente.

   Descemos as escadas que nos levam até a rua, atravessamos a mesma e vamos ver se a Debi, a cachorra da casa do Joãozinho está lá no portão. Ela não está e a Thaís fica chamando Debi, Debi, mas não adianta ela não aparece.

   – Ela deve tá dormindo né Vovopi, diz desapontada.

   – É, quem sabe quando voltarmos ela já tenha acordado. Respondo tentando animá-la.

   Passamos pela frente da casa de D.Rita, uma vizinha, ela tem dois cachorrinhos que às vezes ficam lá no portão a latir, mas hoje também não aparecem.

   Atravessamos novamente a rua e vamos até a nossa gruta (a garagem da casa da D.Neli, onde fica o carro do tio Gordo (o Thiago nosso filho mais novo). Chegamos à garagem, entramos e lá no meio eu dou um grito Oh! Este grito ressoa na garagem, e ela também dá o seu grito e ri alegremente, ficamos ali a imaginar que bichos possam ter nesta nossa gruta, ela diz  jacaié, hipopótamo, lião. Damos gostosas gargalhadas e saímos de nossa maravilhosa gruta.

  No caminho da descida da Florianópolis até a Rua João Pessoa, em cada casa há algo que a Thaís conhece e quer rever. Na casa do Mauro e da Olívia tem o batata, o cãozinho deles, no jardim uma estátua de mulher que a Thaís teima em dizer que é a mamina (a mãe dela) e assim vamos de casa em casa; na casa do S. Grahl (já falecido), há uma estátua de uma grande ave de bico alaranjado, que ela diz que é um pato, no muro da casa do S. Koerich temos de parar, pois por lá passeiam formigas, algumas bem pequenas e outras maiores; para ela é um divertimento ver o caminho que percorrem. Na casa do S. Pedro e D. Norma, tenho de parar para que ela veja os cachorrinhos e os pássaros que ficam ali pelas árvores. Passamos pelo prédio, onde há uma larga calçada, ali ela quer descer do colo e brincar um pouco. Nos postes, paramos e ela olha para cima e diz: – Que alto Vovopi …..

   E assim, chegamos à Rua João Pessoa, vamos à esquerda e depois de alguns metros, eis que na esquina da Rua da Companhia e a João Pessoa, bem à nossa frente, lá, bem no alto daquela escadaria de pedras, está a Alemanha, a Alemanha da Thaís.

   – Vamos até a Alemanha? Pergunto.

   – Vamos sim, responde ela toda feliz.

   Atravessamos pelas faixas de pedestre e iniciamos lentamente a subida daqueles inúmeros degraus, agora com ela ao colo. Toda a escadaria é ladeada por canteiros de flores, que estão todos floridos. Algumas borboletas bailam por entre as flores. Seguimos nossa viagem, com a Thaís pedindo para parar e olhar mais atentamente uma ou outra flor, se divertindo vendo as “boboetas”.

   E assim, depois de uns bons minutos e muito cansaço, eis que chegamos à Alemanha, ela diz: – Vovopi, não vamos entrar na Alemanha né?

   Ela queria ir até lá em cima, mas não entrar na igreja.

   Paramos por ali, ela olhou tudo, demos uma volta ao redor da mesma e retornamos para a escadaria, para o nosso retorno da Alemanha, mas olhando lá de cima, ela diz:    – Vovopi, como estou grande (quando ela sobe, em vez de dizer, que alto estamos, ela fala assim, que grande estou e quando descemos, que pequena …).

   Descendo alguns degraus, ela olha ao redor, e pela altura que estamos, podemos ver outras partes do nosso bairro (da Velha), veem-se algumas ruas que estão em outros morros e uma parte da Vila Germânica, então ela me diz: – Vovopi, olha quantos países.

   – É paixão, quantos países. Nós vamos conhecer todos.

   Continuamos nossa descida e numa das paradas para vermos alguma flor, encontramos uma borboleta pousada na mesma. Bem calmamente consigo pegar uma e coloco na mão da Thaís, ela sorri e fica encantada com aquela borboleta amarela em suas mãos. Depois a soltamos e ela parte em seu bailado. Outras em seus vôos acabam chegando bem perto de nós e a Thaís dá gostosas gargalhadas.

   Depois de um bom tempo, chegamos lá embaixo na Rua João Pessoa e eu fico olhando o trânsito para podermos atravessar com segurança e eis que ela num ímpeto, com suas mãozinhas em minhas faces, vira minha cabeça e dá um gostoso beijo numa delas e um forte abraço …… ah!, Que prêmio para o vô. O que poderia eu querer mais? Abraço ela fortemente, dou vários beijos e de meus olhos caem algumas lágrimas, não de tristeza, mas lágrimas de alegria, de realização, de agradecimento, e então olho para o céu e faço uma prece silenciosa, agradecendo à Deus pela bênção que nos deu. Obrigado Senhor.

   Retornamos à Rua Florianópolis e, agora novamente de casa em casa vamos olhando tudo novamente, com calma, curtindo cada momento, e  para a alegria da Thaís, quando chegamos na casa do Joãozinho, lá está a Debi.

   Quando chegamos em nossa casa, na calçada da frente está a Bisa Anna (a mãe da Rita) e ela vai levar a Thaís para ver os seus amiguinhos, alguns caracóis que estão na parede da casa. A Thaís brinca com eles e vamos para a parte superior (Onde moramos), pela escada lateral e lá em cima está a Liza, a nossa Boxer/Rottweiler, vamos até ao terraço onde está a Meg a nossa Dálmata e a Thaís falando pelos cotovelos, conta para a Ominha e a Bisa Anna a nossa grande viagem até a Alemanha.

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2 Respostas to “A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade. (Parte II)”

  1. Pietro Paladini Says:

    Lindo texto, me emocionei com ele !

  2. Lucia Maria Souza R.Rosas R.de Miranda Says:

    …… Sempre, será sempre, o mais lindo, o mais puro, o mais indelével, o mais importante, o mais concreto, tudo que venha da mente analítica e bastante analítica de uma cabecinha de criança bem pequena, pois essa cabecinha ainda está no seu céu próprio, criou as suas próprias nuvenzinhas cor de rosa, suas asinhas infantis podem levá-las à vôos que a mente humana, adulta e calejada pela vida, já não conhece, não alça e nem discirne mais. Só essa mente analítica, detalhista, pura, singela, de crianças muito pequenas mas terrivelmente observadoras e com a sua sagacidade muito exclusiva e peculiar é que pode nos mostrar de modo real e sem subjetividade alguma, que as verdades não são as verdades que existem, de praxe, no mundo real em que os grandes vivem diaria e metodicamente, mas sim que, eixtem verdades bem mais verdadeiras na lucidez pessoal de uma criança ingênua pois são as suas ingenuidades que nos movem, nos alentam, nos acalentam e nos fazem sermos sobreviventes.

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