Archive for the ‘Escritor’ Category

Conversando com o Profeta. – Continuação I

25/08/2010

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   Estávamos, um amigo e eu, sentados a uma das mesas de um restaurante ao ar livre, quando de repente surgiu à nossa frente uma figura estranha, que se achegou a nós e, cordialmente, ofereceu-nos alguns chaveiros, apresentando um documento de uma entidade filantrópica, a qual revertiam os valores das vendas.

   Nem bem o estranho se aproximou, um dos garçons chegou e, bruscamente, interpelou o vendedor e, em tom ríspido foi dizendo.

   – Não incomode os nossos fregueses.

   Argumentei automaticamente que aquilo não era incômodo …

   A voz ríspida, voltando-se para mim continuou.

   – O senhor não imagina, este cara está todo dia aqui é sempre a mesma coisa. O chefe já deu ordens de mandá-lo embora sempre que aqui aparecer e, se necessário, chamar a polícia.

   – Desculpe a chateação, obrigado pela atenção, até outro dia e que Deus os abençoe, – saindo devagar, assim se despediu o estranho.

   -Algo mais para vocês? – Perguntou o garçom com a maior naturalidade, como se nada tivesse ocorrido.

   – Obrigado, estamos de saída, – respondi.

   Levantando-nos, pagamos a conta e saímos.

   No caminho de casa, não saía de meu pensamento a figura do estranho; algo nele me cativara, várias questões ficaram no ar.

   Que entidade era aquela?

   Qual seu objetivo?

   Como e por que aquele homem trabalhava na mesma?

   Continuei meu caminho e, no meio da multidão que se acotovelava nas calçadas e, nas aventuras das travessias das tuas, segui solitário meu caminho de casa.

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   A manhã está preguiçosa, algumas nuvens salpicam de branco o azul celeste. O sol se esgueira entre as árvores, levantando-se mansamente por detrás do morro em frente de casa, como a querer fazer com que este sábado seja mais longo, colorindo vagarosamente a natureza desta primavera.

   Sinto um agradável cheiro de café e ouço feliz o riso “vida” de meus filhos em suas alegres brincadeiras, correndo pela casa toda, dando a impressão de serem muito mais que aquelas três maravilhosas crianças.

   – Acorde, pai – num grito só, os três põem suas carinhas na porta.

   – Ah! Hoje é sábado, deixa eu fazer uma preguiça, – murmuro por entre as cobertas.

   – O café está na mesa, a mãe está chamando, – insistem eles.

   – Já vou, respondo dando um pulo da cama, como que a querer agarrá-los e, lá se vão em desabalada correria e grito os três. Sentado na cama, sinto-me verdadeiramente feliz.

   Levanto os olhos, faço o sinal da cruz e, na minha prece da manhã, agradeço ao Deus Pai, pela minha família, por este dia e, vem-me ao pensamento aquele senhor de ontem no restaurante. E, se ele estava angariando fundos para alguma entidade que cuida de crianças abandonadas? De idosos? Como será que estão agora? Na minha prece, incluo aquele vendedor e, todos os que, por motivos os mais diversos, não podem comemorar e ou agradecer como eu, nesta manhã.

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   São três horas da tarde, vou para o trabalho que faço todos os sábados na igreja da minha comunidade e, a imagem daquele vendedor não me sai da cabeço. Após os trabalhos da tarde, onde conversei com alguns casais e com um grupo de amigos, desenvolvemos nosso aprofundamento bíblico, assumi minha função de Ministro da Eucaristia durante a missa.

   Durante a distribuição da comunhão eis que, na minha frente, vejo pó estranho vendedor que, após apresentar-lhe a hóstia consagrada e dizer “O Corpo do Senhor” – respondeu – “Amém”. Tomou-a, olhou-me firmemente e voltou ao banco.

   No final da missa, no abraço da paz, procurei-o e, não mais o encontrei.

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Conversando com o Profeta

22/08/2010

Começo a postagem do meu livro Conversando com o Profeta.

O livro foi editado pela Editora Letra Viva, com tiragem de 300 exemplares, no outono de 1996, sob o ISBN 85-85885-16-5.

Conversando com o Profeta

Dedicatória

   Aos meus avós, Paulina, enérgica, porém carinhosa, que em sua simplicidade dizia-me com sabedoria “o que é do homem o bicho não come” e Henrique, alma nobre de artista, que com seu jeito sereno mostrou-me o belo da vida, dedico esta minha obra e, que lá na eternidade onde está vô Henrique, haja uma varanda e uma cadeira de balanço e, que possa eu orgulhosamente saber, que dentre tantos livros que leste e estejas a ler, tenhas em mãos, este simples trabalho de teu neto.

Prefácio

   Sabemos que tudo é Dom de Deus, mesmo as coisas pequeninas. E nossos dias são ricos dos presentes que o Senhor nos oferece.

   As palavras deste livro fazem comunicar-se a alma do autor à do leitor, pois o conteúdo, a mensagem do mesmo foi vivida antes de ser escrita. Somos gratos por termos em nosso meio pessoas de alma tão generosa, que com sua dedicação, nos transmitem aquilo que nosso espírito precisa para entrar em comunhão com aqueles que fazem parte do nosso convívio.

   Podemos sintonizar-nos com Deus, através de todos os acontecimentos, até dos menos significativos, é necessário tão semente saber ouvi-lo em nosso caminhar.

   Eis aqui, uma proposta que nos projeta a uma iluminação de fé, num apelo constante ao dom do homem pelo homem …

Belmiro Valério Avancini

Introdução

   Em algum determinado momento de nossas vidas, pensamos que somos os donos da verdade e, a partir de nossas idéias o mundo será totalmente mudado, parece que nada está no seu devido lugar, somos capazes de discordar e tudo que nos apresentam e, principalmente a opinião das pessoas mais velhas é totalmente sem sentido.

   Vamos amadurecendo e, aos poucos a nós apresenta-se aquele questionamento com que se depararam todos os seres humanos durante esta sua curta mas turbulenta passagem por este planeta Terra.

   – Quem somos?

   – De onde viemos?

   – Para onde vamos?

   – Porque somos?

   Aqui estou eu, nesta fase cruel da vida a perguntar-me tudo isto e, como Pascal (Blaise Pascal – 1623-1662  – filósofo e matemático francês), estou com uma “única certeza, a de que a única verdadeira grandeza do homem reside na consciência de seus limites e de suas fraquezas, a incerteza radical e certa, o paradoxo, a recusa intramundana do mundo e o apelo a Deus”, sentindo-me também “apavorado perante o silêncio glacial dos espaços infinitos em grandeza e pequenez” (B.Pascal, Pensamentos. São Paulo: Nova Cultural, l988, XII), porém posso concluir com o mesmo Pascal, que “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (B.Pascal, Pensamentos, São Paulo: Nova Cultural, l988, XIX).

   E, na busca das respostas a tantas questões, pus-me a estudar e vasculhar pelos labirintos dos conhecimentos que a humanidade legou-nos, tanto através de mestres que a vida premiou a mim na “sorte” de poder ouvi-los, como a livros que de maneiras às vezes estranhas, chegaram a minhas mãos.

   É pois, este trabalho, o balbucio de um ser humano, (mais uma vez buscando em Pascal uma luz) na verdade “um caniço, um caniço açoitado pelos ventos, porém, um caniço pensante” (B.Pascal, Pensamentos. São Paulo: Nova Cultural, l988, pg. 123.

   Que possa este rascunhar de pensamentos e idéias, servir de algum modo a quem se detiver e na paciência de um ser de bondade, verificar que, mesmo vivendo no limiar do século XXI, ainda assim, alguns de nós (ou será que todos), estamos à procura.

A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade. (Parte II)

09/08/2010

E então, na manhã de um belo dia de inverno muito ensolarado, com temperatura agradável, pergunto para a Thaís.

   – Paixão do Vovopi, vamos passear pela Rua Florianópolis? (rua em que moramos).

   – Vamos Vovopi, responde ela alegremente.

   Descemos as escadas que nos levam até a rua, atravessamos a mesma e vamos ver se a Debi, a cachorra da casa do Joãozinho está lá no portão. Ela não está e a Thaís fica chamando Debi, Debi, mas não adianta ela não aparece.

   – Ela deve tá dormindo né Vovopi, diz desapontada.

   – É, quem sabe quando voltarmos ela já tenha acordado. Respondo tentando animá-la.

   Passamos pela frente da casa de D.Rita, uma vizinha, ela tem dois cachorrinhos que às vezes ficam lá no portão a latir, mas hoje também não aparecem.

   Atravessamos novamente a rua e vamos até a nossa gruta (a garagem da casa da D.Neli, onde fica o carro do tio Gordo (o Thiago nosso filho mais novo). Chegamos à garagem, entramos e lá no meio eu dou um grito Oh! Este grito ressoa na garagem, e ela também dá o seu grito e ri alegremente, ficamos ali a imaginar que bichos possam ter nesta nossa gruta, ela diz  jacaié, hipopótamo, lião. Damos gostosas gargalhadas e saímos de nossa maravilhosa gruta.

  No caminho da descida da Florianópolis até a Rua João Pessoa, em cada casa há algo que a Thaís conhece e quer rever. Na casa do Mauro e da Olívia tem o batata, o cãozinho deles, no jardim uma estátua de mulher que a Thaís teima em dizer que é a mamina (a mãe dela) e assim vamos de casa em casa; na casa do S. Grahl (já falecido), há uma estátua de uma grande ave de bico alaranjado, que ela diz que é um pato, no muro da casa do S. Koerich temos de parar, pois por lá passeiam formigas, algumas bem pequenas e outras maiores; para ela é um divertimento ver o caminho que percorrem. Na casa do S. Pedro e D. Norma, tenho de parar para que ela veja os cachorrinhos e os pássaros que ficam ali pelas árvores. Passamos pelo prédio, onde há uma larga calçada, ali ela quer descer do colo e brincar um pouco. Nos postes, paramos e ela olha para cima e diz: – Que alto Vovopi …..

   E assim, chegamos à Rua João Pessoa, vamos à esquerda e depois de alguns metros, eis que na esquina da Rua da Companhia e a João Pessoa, bem à nossa frente, lá, bem no alto daquela escadaria de pedras, está a Alemanha, a Alemanha da Thaís.

   – Vamos até a Alemanha? Pergunto.

   – Vamos sim, responde ela toda feliz.

   Atravessamos pelas faixas de pedestre e iniciamos lentamente a subida daqueles inúmeros degraus, agora com ela ao colo. Toda a escadaria é ladeada por canteiros de flores, que estão todos floridos. Algumas borboletas bailam por entre as flores. Seguimos nossa viagem, com a Thaís pedindo para parar e olhar mais atentamente uma ou outra flor, se divertindo vendo as “boboetas”.

   E assim, depois de uns bons minutos e muito cansaço, eis que chegamos à Alemanha, ela diz: – Vovopi, não vamos entrar na Alemanha né?

   Ela queria ir até lá em cima, mas não entrar na igreja.

   Paramos por ali, ela olhou tudo, demos uma volta ao redor da mesma e retornamos para a escadaria, para o nosso retorno da Alemanha, mas olhando lá de cima, ela diz:    – Vovopi, como estou grande (quando ela sobe, em vez de dizer, que alto estamos, ela fala assim, que grande estou e quando descemos, que pequena …).

   Descendo alguns degraus, ela olha ao redor, e pela altura que estamos, podemos ver outras partes do nosso bairro (da Velha), veem-se algumas ruas que estão em outros morros e uma parte da Vila Germânica, então ela me diz: – Vovopi, olha quantos países.

   – É paixão, quantos países. Nós vamos conhecer todos.

   Continuamos nossa descida e numa das paradas para vermos alguma flor, encontramos uma borboleta pousada na mesma. Bem calmamente consigo pegar uma e coloco na mão da Thaís, ela sorri e fica encantada com aquela borboleta amarela em suas mãos. Depois a soltamos e ela parte em seu bailado. Outras em seus vôos acabam chegando bem perto de nós e a Thaís dá gostosas gargalhadas.

   Depois de um bom tempo, chegamos lá embaixo na Rua João Pessoa e eu fico olhando o trânsito para podermos atravessar com segurança e eis que ela num ímpeto, com suas mãozinhas em minhas faces, vira minha cabeça e dá um gostoso beijo numa delas e um forte abraço …… ah!, Que prêmio para o vô. O que poderia eu querer mais? Abraço ela fortemente, dou vários beijos e de meus olhos caem algumas lágrimas, não de tristeza, mas lágrimas de alegria, de realização, de agradecimento, e então olho para o céu e faço uma prece silenciosa, agradecendo à Deus pela bênção que nos deu. Obrigado Senhor.

   Retornamos à Rua Florianópolis e, agora novamente de casa em casa vamos olhando tudo novamente, com calma, curtindo cada momento, e  para a alegria da Thaís, quando chegamos na casa do Joãozinho, lá está a Debi.

   Quando chegamos em nossa casa, na calçada da frente está a Bisa Anna (a mãe da Rita) e ela vai levar a Thaís para ver os seus amiguinhos, alguns caracóis que estão na parede da casa. A Thaís brinca com eles e vamos para a parte superior (Onde moramos), pela escada lateral e lá em cima está a Liza, a nossa Boxer/Rottweiler, vamos até ao terraço onde está a Meg a nossa Dálmata e a Thaís falando pelos cotovelos, conta para a Ominha e a Bisa Anna a nossa grande viagem até a Alemanha.

A Alemanha é aí né? – Fantasia e realidade.

06/08/2010

“Neste mundo da literatura em que navegamos, encontramos autores que constroem estruturas que ligam vazios. Tentam colocar coberturas em espaços sem estrutura, estes autores são importantes, pois estão à busca, e como que as apalpadelas conseguirão fazer de suas estruturas algo de valor. Encontramos também autores  com conhecimentos básicos, outros com conhecimentos médios e  poucos com conhecimentos sólidos, que buscam criar estruturas para ligá-los, estes são imprescindíveis, pois mesmo que suas estruturas ainda sejam frágeis,  promovem mudanças, algumas simples, outras radicais, levando-nos a viagens pelo inimaginável”.

Leonardo Stuepp

Começo agora as minhas postagens em meu blog como escritor.

Fiquei a pensar, o que postaria aqui? Então me veio a idéia de postar semanalmente partes dos livros que já publiquei, assim, os interessados poderão conhecê-los em doses homeopáticas.

Mas, para iniciar, tenho algo inédito a apresentar ……

   Era um dos dias em que,com muita alegria fui buscar minha netinha Thaís na escolinha na hora do almoço. Faço isso normalmente duas vezes por semana.

   Como de costume, um pouco antes do meio dia, após o almoço, lá vem a minha paixão, sorrindo com sua bela muchi (a mochila com o material e roupas).

   Acomodo ela na sua cadeirinha e tomamos a direção de nossa casa. Durante o percurso, ela comenta sobre o que comeu, o que brincou, com quem brincou, fala pelos cotovelos e fica pedindo para que eu olhe para ela.

   Assim vamos, ela falando eu escutando e prestando atenção ao trânsito, em algumas oportunidades ela quer cantar, então temos de cantar bem alto: Papai Noel deixou, meu presente de Natal, mas como é que Papai Noel, não se esquece de ninguém ……, passando logo em seguida para: Coelhinho da Páscoa que trazes pra mim, um ovo, dois ovos …., sem se importar com  qual época do ano estamos, pois para ela sempre é Natal ou Páscoa……como é gostosa esta viagem, que sensações, que emoções.

   Quando estamos descendo o morro da Companhia (a rua que liga o Bairro do Bom Retiro com o Bairro da Velha), esquina com a Rua João Pessoa, ela me chama.

   – Vovopi (querem algo mais carinhoso?), a Alemanha é aí né?

   Fico sem entender, olho para trás e pergunto.

   – O que?

   – A Alemanha é aí né?, diz agora mais séria.

   Olho para onde aponta e vejo que é a Igreja Evangélica Luterana, que fica ali naquele morro.

   – É paixão, ali é a Alemanha. Digo ainda confuso.

   Chegando em casa comento com a Rita, minha esposa e após algumas reflexões compreendemos que ela associou as conversas  sobre viagens à Alemanha, e as fotos que viu, com aquela igreja em estilo bem europeu mesmo.

   E, assim, sempre que passeio com a Thaís pela nossa rua, que fica próximo à igreja e ela a vê, ela diz, olha Vovopi, a Alemanha.

   Até que em um dia de inverno, bem ensolarado, com temperatura muito agradável, resolvo levá-la até a sua Alemanha ……

Mas isto fica para a outra postagem.