Archive for the ‘Professor’ Category

Matemática uma linguagem. Parte I

26/08/2010

Em qualquer lugar que se fale de Matemática, esta maravilhosa disciplina é apresentada como sendo uma ciência exata.
Eu prefiro trabalhar a Matemática mais como uma linguagem, que usa de símbolos e sinais para ser construída. Ela tem como objetivo chegar a exatidão.
A maioria dos alunos não gosta de Matemática, não por ela ser uma disciplina difícil, mas sim, porque a maioria dos professores a torna assim.
Querem os professores partir de fórmulas para o ensino da Matemática, quando na verdade a fórmula é o resultado do conhecimento do que estamos ensinando. O mesmo ocorre no ensino da Física.
Um exemplo, quando os professores falam do teorema de Pitágoras, todos os alunos já fazem cara feia, pois lá vem aquela decocreba: a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Mas o que é isto?
Construa o triângulo, demonstre o teorema, pois a visualização fará com que os alunos apreendam o conteúdo e tenham a noção do que esta “coisa” de teorema representa.
Outra questão voltada à Pitágoras é que todos os professores deveriam apresentar este personagem aos alunos, falar sobre as suas experiências com som e com isto a sua intuição que levou ao conhecimento da pauta musical, com suas 7 notas musicais. Os seus estudos sobre a metempsicose, que levariam mais tarde à confusão que se tem hoje sobre a questão da transmigração da alma.
Se trabalharmos a Matemática mais romanticamente, com certeza a maioria dos alunos terão novo olhar sobre a mesma.

Anúncios

ESTAR PROFESSOR.

18/08/2010

No texto anterior trabalhei o Ser Professor, agora quero trabalhar o Estar Professor.

Qual a diferença?

Ela é sutil, mas determina uma enorme distância entre os dois estados em que alguém se posiciona na profissão professor.

Ser professor é gostar do seu trabalho, é se preocupar em buscar mais conhecimentos, em preparar uma boa aula, já estar professor é o estado de alguém, que por não encontrar outra alternativa de trabalho, acaba exercendo o cargo como bico, não se prepara, não se preocupa em buscar novos conhecimentos.

Quem é professor por vocação, não fica só se preocupando com o seu salário, pois sabe que o mesmo será o resultado de um bom trabalho e saberá buscar a valorização do mesmo, tem a consciência de que exercendo a profissão com dedicação e carinho, será reconhecido e novas oportunidades surgirão para ele no mercado. O bom profissional é disputado no mercado, seja lá em que segmento for. Ele não fica defendendo a isonomia, entende e valoriza a meritocracia.

Quem está professor, vive nos cantos reclamando de seu salário, tudo está errado onde trabalha, mas, não tem sugestão alguma para melhorar, vive a dizer que não lhe dão oportunidades e quando vê um colega galgar postos ou receber uma oferta melhor de salário, fala aos quatro ventos que é um sortudo, que é um puxa-saco, ou coisas que são impublicáveis neste espaço. Para ele o mercado sem dúvidas fecha a porta, pois ele luta pela isonomia e detesta a meritocracia.

Você que exerce esta nobre profissão de professor, se coloca no: Ser Professor, ou fazendo uma análise sincera de sua atuação, se vê um: Estar Professor?

Ser Professor.

05/08/2010

Lembro vagamente e tento entender, como, em uma pequena sala, encostados com suas pequenas carteiras à parede, quatro turmas, o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto ano do hoje ensino fundamental, tinham aulas ao mesmo tempo com o mesmo professor.

Lá ficávamos recebendo as informações; lá éramos cobrados por um professor enérgico, que não titubeava em dar suas palmadas (e nenhum pai tirava satisfações com ele); lá aprendemos a conhecer as letras, a transformar um conjunto destas letras em palavras e um conjunto de palavras em pensamentos e um conjunto de pensamentos nos levava a ler livros; lá aprendemos a geografia de nosso país e do mundo; lá aprendemos a história de nossa pátria e a história geral; lá aprendemos os algarismos e com eles a noção de número usando os próprios algarismos ou juntando os mesmos, com isto podíamos determinar quantidades, aprendemos a usar sinais e estes sinais nos levavam a entender o que era somar, diminuir, multiplicar e dividir, não como uma operação matemática mecânica, mas como um resultado de algo que podíamos ver, algo que surgia naturalmente, intuído, explicado e entendido.

Ah! Hoje que saudade deste tempo que ainda tento entender. Hoje, com tantas teorias que estão levando a cada dia o ato de ensinar a ser meramente um cumprimento de horários, onde dificilmente se consegue chegar ao verdadeiro sentido do ensinar e muito menos do aprender.

Hoje, o professor é refém de calendários, de um material didático nem sempre condizente com as reais necessidades do aprendizado, muitas vezes com teor ideológico, quando não com erros dos mais banais aos mais crassos, de uma carga horária desproporcional à sua possibilidade de preparação e análise dos conteúdos repassados, pois para atender às suas necessidades pessoais e familiares de sustento, lazer e sociais, tem de ter uma enorme carga horária, com muitas aulas para que seu salário possa dar conta destas necessidades básicas  e, ainda de um grupo de alunos que entendem que tem muitos direitos e sabem cobrar os mesmos, mas esquecem de que também tem deveres, mas isto pouco importa, pois ele, o professor é pago para ensinar, mas por gentileza, não cobrar.

Sim, ser professor, o que significa isto hoje? Para mim é um verdadeiro apostolado, requer fibra, boa vontade e muita perseverança. É sem dúvida uma nobre profissão, que ao final de tudo traz alegrias, pois até estes alunos que em muitas oportunidades só sabiam de seus direitos, com o tempo, o passar dos anos e o surgimento de suas necessidades, de suas responsabilidades, acabam reconhecendo o valor daqueles, que em muitas oportunidades não respeitaram ou não deram o devido valor.

Ser professor é ser altruísta, é acreditar que em sua atividade está a semente da transformação.